Após diversas reuniões, programas de carona lançados e planejamentos que estão sendo desenhados para o segundo semestre de 2016, gostaríamos de compartilhar os 3 pontos que foram mais requisitados para tirarmos dúvidas de acordo com nossas experiências.

Antes de começar, sugerimos que tenha algo em mãos para anotação – seja um lápis e caneta ou mesmo um documento aberto no computador – e um bom café para acompanhar a leitura, pois nossa intenção é que possa terminar este texto com ideias práticas para utilizar na sua organização.

 

1. Lançamento Inicial

Recentemente, gestores envolvidos em um projeto de mobilidade e caronas corporativas, lançado em uma das maiores empresas do setor alimentício, teve como preocupação base: “Como fazer com que seus colaboradores se cadastrassem no aplicativo? ”.

É uma indagação natural e essencial, após a escolha da ferramenta que se irá implementar na empresa, pois cada vez mais surgem novas possibilidade de aplicações para mobilidade, como exemplo, além da Mobicity, existem outras opções como os aplicativos Uber, 99Táxis, EasyTaxi, Cabify, Bynd, Caronetas, Cargo BR, Truckpad. Todos correm juntos para trazer vantagens em mobilidade e ainda que possuam semelhanças, os pequenos diferenciais se encaixam em empresas com diferentes momentos.

No caso desta empresa, que acabou se tornando cliente, utilizamos técnicas de comunicação presencial (intervenções), digitais, impressas e também pequenos brindes como gatilho de recompensa. O design das tecnologias vem evoluindo também para facilitar o cadastro, como por exemplo, a utilização de QR Codes para efetuar logins e senhas, na qual percebemos um aumento inicial de 5 a 10% no nível de engajamento dos usuários. Estes pontos em conjunto têm trazido resultados de adesão de 13 a 25% no primeiro mês de implementação, ou seja, funcionários que baixam o aplicativo e se cadastram no grupo exclusivo criado para a empresa/cliente.

Entretanto, existe um fator principal a ser dito aos gestores que estão planejando implementar um plano de mobilidade e caronas corporativas em suas organizações: tal plano não deve ser encarado simplesmente como um projeto de curto prazo! Precisa ser endossado pelas diretorias e, inclusive a presidência, para que seja um modelo top down, ou mesmo em organizações com processos decisórios mais “horizontais”, para que os colaboradores saibam que não estão sozinhos nesta transformação de cultura organizacional, comportamento e escolhas mais sustentáveis. Quando não houver diretriz da direção da empresa para Mobilidade, algumas ações criadas se tornam projetos e acabam se isolando do dia-a-dia da empresa, sendo extinto e considerado uma má experiência.

Neste ponto a mensagem que compartilhamos é: há possibilidade de criar um programa sustentável de Mobilidade e Caronas Corporativas e muitas empresas vêm adotando isto como pilar fundamental em sua cultura organizacional.

 

2. Acompanhamento

Outro fator de preocupação, já em uma visão de médio prazo, é: “E depois de implementarmos tal tecnologia, o que fazemos? Há métricas de utilização? Que ações podem ser feitas? “.

Esta é mais uma preocupação fundamental, pois adotar uma ferramenta sem suporte contínuo – não apenas técnico, mas de comunicação e engajamento – traz um enorme risco ou para alguns gestores com mais tempo de casa, certeza de insucesso.

O primeiro ponto a ser considerado é a mensuração e como diria o guru da Administração William E. Deming:

“Não se gerencia o que não se medenão se mede o que não se define, não se define o que não se entendee não há sucesso no que não se gerencia.

Com base nesta, sugerimos uma análise destes quatro pontos acima: entender, definir, medir, gerenciar.

Entenda o perfil dos colaboradores: Qual as vantagens e desvantagens de cada modal de transporte utilizado na organização? Qual a quantidade e perfil das pessoas que utilizam cada um destes modais? Como a localização da empresa influência o comportamento, custos e produtividade dos colaboradores?

Defina o que é uma prioridade de resultado de acordo com a diretriz da organização no momento: Conectar os colaboradores? Otimizar custos de transporte, estacionamento ou instalações? Trabalhar indicadores de emissão de CO2? Desenvolver estratégia de Inovação no próprio modelo de negócio da empresa?

Meça o que foi priorizado com indicadores (ou KPI’s) que realmente fazem sentido para a evolução dos objetivos pretendidos, evitando métricas de vaidade: Quantas pessoas se cadastraram na aplicação? Quantos são os novos usuários mensais? Quantos acessos médios são feitos? Qual o ranking de usuários mais ativos? Quais os transportes mais utilizados, custosos ou poluentes?

Gerencie os resultados com políticas que fazem sentido: Quando premiar um comportamento que faz sentido para estimular o resultado pretendido? Qual tipo de premiação se encaixa para diferentes perfis como caroneiros, ciclistas, funcionários que caminham, utilizam transporte público, dividem táxi, etc.? Quando fazer uma nova ação de reativação e qual comunicação utilizar?

Este é apenas um exemplo de como criar parâmetros iniciais para que se obtenha uma visão de acompanhamento da política de mobilidade da empresa. Na Mobicity, tendo estes fatores em vista, buscamos fornecer cada vez mais relatórios e integrações com outras soluções (API’s) para que possamos desenvolver serviço e suporte, além da tecnologia base.

Mais uma vez, é necessário que a visão de gestão da mobilidade se torne algo intrínseco à política organizacional da empresa, sendo impulsionada pelos líderes que tomam decisões de impacto para organização como um todo.

Nossa dica aqui é: busque aliança com pessoas que também estejam priorizando esta visão na empresa e crie um pequeno grupo para discutir e levar isto para a direção, muitos projetos têm sido buscados por analistas, trainees e coordenadores, até serem levados a seus diretores.

3. Economia, Qualidade de Vida, Sustentabilidade ou Inovação

Com certeza um fator não poderia faltar: “Como e quais resultados serão entregues para justificar a contratação do programa? ”.

O questionamento que precisa ser feito de início é: como uma organização, com práticas que estimulam um comportamento custoso ou foi carente de soluções que dessem opções mais sustentáveis de transporte por 10, 20, 50 ou 100 anos, pode querer resultados expressivos em um teste de 1, 2 ou 3 meses com uma solução específica?

Lembre-se, uma organização é feita pelas pessoas que a compõe e, por esta razão, sua mobilidade deve fazer parte do escopo de suas políticas internas.  Para exemplificar: é como criar acessibilidade para pessoas portadoras de necessidades especiais, separar o lixo reciclável, fornecer vale alimentação ou restaurante interno. São todas políticas fundamentais para as organizações atuais.

Após estas considerações, podemos citar algumas experiências sobre a obtenção de resultados:

ECONOMIA FINANCEIRA, os resultados podem ser buscados em diversas frentes e para isto será preciso levantar dados e custos:

  • Estacionamento – Quanto custa cada vaga? A demanda por vagas irá aumentar? Há fretados ou vans apenas para translados?
  • Fretados – Qual a taxa de pessoas por veículo? Qual o gasto de táxi pago pela empresa para o colaborador que perde o fretado?
  • Táxi – Qual o gasto anual da empresa? Quantas são as viagens entre unidades com táxi? Qual a quantidade de pessoas que vão para o aeroporto, cada uma em um táxi diariamente?

QUALIDADE DE VIDA, cada empresa possui uma forma diferente de abordagem e alguns pontos em comum são:

  • Produtividade – Atrasos diários devido a falta de opções de transporte, perda de tempo no trânsito sem companhia;
  • Integração – Conexão dos colaboradores com seus colegas de trabalho, engajamento em projetos coletivos ou mesmo receber colegas que vêm de outras cidades ou regiões para dividir seus trajetos por um dia ou período;
  • Saúde e Segurança – Home Office ou redução de mobilidade desnecessária, companhia em horários ou trechos urbanos perigosos;
  • Acessibilidade – Mulheres em período avançado de gestação, portadores de necessidades especiais, ou mesmo localizações de difícil acesso para pedestres ou distantes de pontos de transporte público;

SUSTENTABILIDADE, alinhados com indicadores que realmente são úteis nas políticas da empresa:

  • Selo LEED – Registro de práticas que aumentam a pontuação de construções verdes, desde implementação de vagas para caroneiros até políticas em caronas realizadas;
  • Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE, Bovespa) – Registros que validam e melhoram os índices da empresa;
  • Pegada Ecológica – Controle e relatório de emissão de CO2 por cada tipo de modal utilizado;

INOVAÇÃO, sobre como as empresas vêm estrategicamente investido em soluções de mobilidade e incorporando este valor em seu Core Business:

  • Logística – Atrelar a mobilidade das pessoas ao transporte de cargas específicas;
  • Inteligência de Mercado – Integrar o mapeamento da mobilidade do público interno também com o comportamento ou localização do seu cliente;
  • Conectividade – Conectar as API’s de diferentes soluções para otimizar tecnologias existentes, mantendo-se atualizado em cadeia ou rede;

De fato, existirão outros pontos de incerteza, mas acreditamos que com a visão destes 3 pontos, certamente as empresas terão maiores oportunidades de se estruturarem quando for necessário um aprofundamento antes de conseguirem o “OK” da diretoria para investir um programa de Mobilidade e Caronas Corporativas.

Em breve traremos mais experiências e inovações sobre os projetos que vêm sendo realizados.